Actividades da Turma no projecto "Reflexão, Cultura e Mentalidades" no âmbito da articulação do PCT.
27
Fev 09
Publicado por T10C, às 17:45link do post | comentar

Sebastião Artur Cardoso da Gama, uns dos poetas do sec. XX, este nasceu no dia 10 de Abril de 1924, vindo a falecer em 7 de Fevereiro de 1952 por tuberculose.

 

Colaborou nas revistas Árvore e Távola Redonda.A sua obra encontra-se ligada à Serra da Arrábida, onde vivia e que tomou por motivo poético de primeiro plano (desde logo no seu livro de estreia, Serra-Mãe, de 1945).Fundador da Liga para a Protecção da Natureza em 1948.Em 4 de Maio de 1951, no convento da Arrábida, casou-se com D. Joana Luísa. O seu Diário, editado postumamente em 1958, é um interessantíssimo testemunho da sua experiência como docente e uma valiosa reflexão sobre o ensino.As Juntas de Freguesia de São Lourenço e de São Simão, instituíram, com o seu nome, um Prémio Nacional de Poesia. No dia 1 de Junho de 1999, foi inaugurado em Vila Nogueira de Azeitão, o Museu Sebastião da Gama, destinado a preservar a memória e a obra do Poeta da Arrábida, como era também conhecido.

 

Publicações:

 

Em vida:

  • Serra Mãe (1945)
  • Loas a Nossa Senhora da Arrábida (1946, em colaboração com Miguel Caleiro)
  • Cabo da Boa Esperança (1947)
  • Campo Aberto (1951)

 

Postumamente:

  • Pelo Sonho é que Vamos (1953);
  • Diário (1958);
  • Itinerário Paralelo (1967: compilado por David Mourão-Ferreira);
  • O Segredo é Amar (1969);  
  • Cartas I (1994).

 

O poeta também foi professor de português, licenciado em filologia românica pela Faculdade de Letras da Universidade De Lisboa em 1947.Este exerceu o cargo de professor em Lisboa, Estremoz e Setúbal.


13
Fev 09
Publicado por T10C, às 15:13link do post | comentar

Florbela de Alma da Conceição nasceu a 7 de Dezembro de 1894, em Vila Viçosa. A sua mãe chamava-se Antónia da Conceição Lobo e morreu algum tempo depois do parto. Foi baptizada como filha de pai incógnito e os seus avôs e avós eram também incógnitos. Teve uma infância sem falta de carinhos e a sua subsistência não foi ensombrada por insuficiências que atingem muitas das crianças que nascem em circunstâncias semelhantes.

Mais tarde, descobriu quem era o seu pai, este que não a deixou desprovida de amparo. Foi dele, João Maria, que recebeu o apelido de Espanca.

Ingressou no liceu de Évora. Num tempo em que poucas raparigas frequentavam estudos, e bonita como era, apesar de umas tantas vezes afirmar o contrário, punha à roda a cabeça dos colegas.

Não foi nesta altura que Florbela criou os primeiros poemas. Antes já os tinha escrito com erros de ortografia. Naturalmente infantis, mas avançados em relação à idade. De algum modo, prenunciavam o que viria depois.

Esta precocidade contrastava com algum desajustamento futuro, quando a sua escrita divergia dos conceitos de poesia dos grupos do "Orfeu", "Presença" e outras tendências do designado "Modernismo", e que emergiam como as grandes referências literárias da época, das quais Florbela pareceria arredada.

Inicialmente não tinha dificuldades económicas, como deixou a perceber. Explicadora, trabalhou ensinando francês, inglês e outras matérias. Mais tarde, com vinte dois anos, estudou Direito na Universidade de Lisboa.

Publicou vários poemas em jornais e revistas não propriamente dedicados à poesia, como Noticias de Évora e O Século ou de circulação local.

Editou os seus primeiros livros, Livro de Mágoas em 1919, e em 1923 Livro de Soror Saudade, onde incluiu grande parte da produção anterior.

Referia o seu Alentejo e os locais ligados às suas origens, e exaltava a Pátria em alguns poemas. Mas a sua escrita situou-se sobretudo no campo da paixão humana.

Contraiu matrimónio por três vezes. Do primeiro marido, Alberto Moutinho, usou o apelido em alguns escritos, nomeadamente correspondência. Do terceiro marido, Mário Lage, juntou o apelido à assinatura usual, nas traduções que efectuou. Do segundo, António Guimarães, não parece ter havido reminiscências explicitas nos escritos de Florbela, que lhe terá dedicado obra que publica como Livro de Soror Saudade, titulo diferente do projectado e esquecendo a dedicatória.

No último ano de vida elaborou um "Diário", onde deixou anotações até escassos dias antes do trágico fim.

A morte anunciada ao longo da sua escrita ocorreu pouco depois. Pôs fim à sua vida em 8 de Dezembro de 1930, dia em que fez 36 anos, em Matosinhos, onde vivia. Aí foi enterrada sendo mais tarde trasladada para a sua terra natal.

Florbela pode não ter sido a maior poetisa do seu tempo mas foi certamente uma das que mais agudamente e sem temor exprimiu as grandes contradições da sensibilidade feminina nas suas paixões. Ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade, impregnada das verdades simples ou complexas do que é a mulher, na convergência da cultura e do ser.


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